Doenças do Cão


 


 

ACAROS NAS ORELHAS

 

Quando o cão apresenta secreções nas orelhas, nem sempre estamos perante uma otite. De facto, quando estas se apresentam acastanhadas, isso deve-se em geral à presença de ácaros. Esta situação provoca bastante comichão, pelo que é muito incómoda para o cão.

 

Consulte o veterinário para saber exactamente o que fazer e, se tiver gatos examine-os também, pois poderão voltar a infectar o cão.

 


 

DEFICIÊNCIAS ENZIMÁTICAS

 

Nalguns Rottweiler o pâncreas não produz enzimas suficientes, o que faz com que se desenvolvam pouco, tenham diarreia e grandes dificuldades em digerir alimentos gordos. Se o seu cão apresenta estes sintomas consulte o seu veterinário para que seja feito um diagnostico completo. Normalmente esta situação é controlada adicionando à ração um extracto pancreático. 

 


 

DISPLASIA COXOFERMURAL  

 

A displasia é uma má formação nas articulações coxofemurais (ligação entre a bacia e os membros traseiros). Incide em todas as raças, mas principalmente em raças grandes e naquelas de crescimento rápido , como os Doberman. Atinge igualmente machos e fêmeas e pode comprometer uma ou ambas articulações (normalmente atinge as duas).

 

Os primeiros sintomas aparecem principalmente por volta dos 4 aos 7 meses de vida, quando o animal afectado começa a mancar e sentir dor quando anda, principalmente nos pisos mais escorregadios. Devido à dificuldade para andar, o cão pode não mexer os membros e os músculos podem atrofiar.

 

A displasia é transmitida de forma hereditária, sendo recessiva e poligênica (determinada por mais de um par de genes), por isso tanto o macho quanto a fêmea precisam ter a doença, ou pelo menos o gen para que os filhotes também tenham. Mesmo assim, essa deficiência tornou-se mais comum, a partir do momento em que os proprietários mais irresponsáveis atraídos pelo lucro rápido cruzaram animais afectados sem se preocuparem com a transmissão.A doença é também fortemente influenciada por factores de maneio e do meio ambiente.

 

O seu combate é feito mediante a selecção dos exemplares, deixando aqueles que apresentam tendências à displasia fora do processo de reprodução. Para minimizar a influência dos factores ambientais, os criadores devem procurar evitar que o cão seja exposto a traumas e esforços exagerados, evitando sobretudo a obesidade, os exercícios precoces, pisos lisos e trabalhos excessivos.

 

A displasia provoca muitas dores no animal quando este se locomove, além de proporcionar um andar imperfeito, o que afecta a resistência do animal

 

Para saber se um cão tem ou não displasia, basta realizar um exame muito simples. O diagnóstico é feito através de uma radiografia, com o animal deitado em decúbito dorsal (com a barriga para cima) e com as patas traseiras esticadas para trás. Como a displasia pode provocar dores fortes e os animais mais afetados são grandes, pode ser preciso anestesiar o cão. Geralmente é feita uma anestesia curta, que dura de 10 a 20 minutos, tempo necessário para radiografar o animal. O veterinário deve ter muito cuidado no posicionamento durante a radiografia, porque radiografias com mau posicionamento são consideradas inadequadas para se obter um laudo que ateste se o seu animal tem ou não displasia. Muitas pessoas possuem cães que apresentam displasia em diversos graus e não sabem. Acham inclusive que é "impossível" que seu animal possa ter este problema uma vez que correm, pulam e saltam enormes alturas sem dificuldade.

 

Existem diversas categorias de displasia coxofemural, de acordo com a gravidade. Abaixo temos um quadro com estas categorias:

 

 

Categorias de Displasia Coxofemural

 Categoria A  HD -  animal sem displasia
 Categoria B  HD +/-  articulação quase normal
 Categoria C  HD +  displasia leve
 Categoria D  HD ++  displasia moderada
 Categoria E  HD +++  displasia severa

 

 

Eis algumas sugestões para evitar que a displasia atinja o seu cão:

  • Evite pisos lisos;

  • Coloque a cadela e os cachorros recém-nascidos sobre uma superfície levemente rugosa, para que estes possam locomover-se com mais firmeza sem escorregar (atenção para que o material utilizado não seja áspero demais e magoe os cachorros;

  • A partir dos três meses, é recomendável exercícios moderados (como a natação) visando fortalecer a musculatura pélvica, única estrutura de tecidos moles que auxilia na manutenção das articulações e que pode ser fortalecida (aumentada);

  • Evite ao máximo a obesidade;

  • Evite exercícios forçados e/ou precoces que podem provocar não apenas a displasia como também artroses. Deve-se evitar exercitar o seu cão andando de bicicleta ou andando de carro e obrigando a cão a segui-lo, pois certamente estará forçando os limites do animal.

 


 

OSTEOCONDRITE

 

Trata-se de uma condição ortopédica cuja causa é ainda desconhecida. Pode afectar os ombros, os garrotes, os jarretes ou as rótulas durante o período de crescimento. Caracteriza-se pelo crescimento desmesurado de determinadas zonas de cartilagem, que se vão introduzindo na articulação provocando muitas dores no animal. Geralmente necessitam de remoção cirurgica. Se o seu cachorro começar a coxear deve levá-lo de imediato ao veterinário para ser examinado. O repouso é fudamental para minimizar a lesão. 

 


 

OTITES

 

O Ouvido pode ser dividido em ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno, que se encontram interligados entre si. O ouvido externo compreende o pavilhão auricular (orelha), o meato acústico externo também chamado canal auditivo externo e o tímpano, este último é uma membrana delgada que, por assim dizer, separa o ouvido externo do médio. O ouvido médio é a câmara onde se situam três ossículos (martelo, estribo e bigorna) interligados entre si e que servem como meio de ligação com o ouvido interno. Nessa câmara onde se situam os referidos ossículos, existe um canal de ligação do ouvido médio com a faringe, denominado Trompa de Eustáquio. O ouvido interno, a parte mais especializada, é portanto também a mais delicada e importante de todo o ouvido. Nesta zona existem os chamados Canais semicirculares, a Cóclea e o Nervo acústico, este último ligando todo o conjunto directamente ao cérebro. Assim, conforme sejam atingidas essas diferentes partes do ouvido, a otite se revestirá de maior ou menor gravidade, recebendo também denominações diversas, como otite externa (apenas ouvido externo inflamado), otite média (apenas ouvido médio inflamado), e otite interna (esta a mais grave pois atingindo os canais semicirculares determinará transtornos do equilíbrio por ser esse o órgão responsável pelo nosso sentido espacial. Atingindo a cóclea, será a doença denominada labirintite (devido ser tal órgão também chamado de labirinto), e assim por diante.

 

O que causa as otites são sobretudo germes ou fungos infecciosos que se instalam no ouvido, podendo ali penetrar, tanto através do exterior pelo canal auditivo externo, quanto também através da faringe pela Trompa de Eustáquio.

Para prevenir esta doença há que, em primeiro lugar, cuidar da limpeza do canal auditivo externo e das próprias orelhas dos cães e, em segundo lugar, cuidar do tratamento rápido e eficaz de doenças da garganta, pois daí também pode a infecção progredir e atingir o ouvido.

 

Para uma boa limpeza dos ouvidos dos cães poderá ser utilizada uma cotonete ou um chumaço de algodão na ponta de um estilete flexível ou pinça. Humedecemos esse algodão com uma solução de alcool-éter (em partes iguais), e com esse cotonete limpamos e removemos a cera existente no canal auditivo e nas próprias orelhas. Especial cuidado deve ser dado na limpeza do canal auditivo externo, na sua parte mais profunda, a fim de não lesar o tímpano ali localizado. A frequência que essa limpeza deve ser feita, dependerá da raça de seu cão. Nos Rottweilers, dado que têm as orelhas caídas, a limpeza deve ser feita em cada 10 dias.

 

Se o seu cão começar a coçar-se com as patas frequentemente na zona do interior das orelhas, ou então sacudir frequentemente a cabeça, poderá estar com uma otite. Mais evidente será o diagonóstico quando ocorrer secreção purulenta pela orelha, o que denota a infecção já estar ali instalada e latente. Quando a otite é unilateral (apenas um dos ouvidos), o acto do cão manter a cabeça inclinada para esse lado inflamado também é sintomático.

 

Por vezes o simples acto de proceder à limpeza dos ouvidos, quando a otite é apenas externa, é suficiente para sanar o mal. Porém, quando a infecção já atingiu o ouvido médio ou o interno torna-se necessário fazer um  tratamento mais especializado, inclusive com administração de antibióticos por via geral (parenteral ou oral), e mesmo nebulizações da garganta com medicação apropriada. Nestes casos, a recomendação é, procure um veterinário competente que este deverá estar capacitado para lhe indicar a melhor terapêutica.

 

Apenas uma recomendação final: Nada de pânicos em caso de otites, pois tenha em mente que o próprio organismo animal tem meios de defesa tanto para essa quanto para outras infecções.

 


 

PROBLEMAS OCULARES

 

O entrópio (palpebras voltadas para dentro) verifica-se geralmente nos cães com olhos cavados e demasiadas pregas na pele da cabeça. Esta situação provoca dores e pode até ulcerar a córnea, pelo que deverá ir o mais rápido possível a um veterninário para operar o cão. Sendo uma doença hereditária, os cães que a apresentem não deverão ser utilizados para reprodução.

 

A Conjuntivite é uma infecção dos olhos que se manifesta através de uma secreção amarelada. Deverá recorrer também a um veterinário que decerto lhe receitará uma pomada antibiótica que resolva o problema rapidamente. 

 


 

PROBLEMAS DE PELE

 

Os eczemas são lesões da pele provocadas por variadas razões. As pulgas são uma dessas razões pois, ou devido à simples alergia à picada, ou devido às lesões exsudativas causadas pelas mordeduras do cão ao tentar coçar-se , o cão poderá apresentar problemas de pele. Para além de livrar-se das pulgas, através de um dos produtos existentes no mercado, poderá pincelar as àreas afectadas com 'violeta de genciana' ( à venda em qualquer farmácia). Os arranhões resultantes das brincadeiras também poderão causar eczemas.

 

A Sarna, embora não seja muito comum nesta raça, pela sua gravidade, obriga à consulta imediata de um veterinário, pois requer cuidados e tratamentos especiais. 

 

Se o seu cão costuma coçar-se violentamente nas patas, deixando até por vezes as almofadas em carne viva, isso poderá ser o resultado de uma alergia a qualquer coisa com que o seu cão contacta diáriamente ( carpetes, detergentes do chão, etc.). Elimine de imediato a origem da alergia e consulte o seu veterinário para saber qual o melhor tratamento a efectuar nas zonas afectadas e avaliar a extensão dos ferimentos.

 


 

RUPTURA DE LIGAMENTOS CRUZADOS

 

No interior da articulação do joelho encontram-se os ligamentos cruzados, que se distendem ou encolhem consoante a movimentação da extensão da perna do animal.

 

Quando ocorre uma ruptura destes ligamentos, o animal passa a deslocar-se de uma maneira muito peculiar e dolorosa, colocando os dedos iclinados para o solo.

 

A Cirurgia é também a única solução para este problema, e deve ser realizada antes que ocorram alterções secundárias susceptiveis de agravarem o estado do cão. Após a operação o animal só poderá voltar a andar depois da perna readquirir firmeza.

 

Parece haver uma certa tendência hereditária para esta situação, que afecta sobretudo os cães com pernas curtas e muito juntas, com pouca angulação posterior.

 


 

TORÇÃO DE ESTÔMAGO

 

A torção gástrica afecta de maneira particular os cães de raças de grande porte e que possuem 'peito profundo'. Cães de pequeno porte também podem sofrer torções do estômago, apesar de ser extremamente raro. A causa primária é desconhecida.

 

Em determinadas circunstâncias o estômago dos cães dilata-se (ingestão de refeições muito abudantes ou ricas em alimentos fermentáveis e esvaziamento insuficiente do estômago pelo piloro) e com um movimento brusco torce-se segundo seu eixo longitudinal.No eixo torcido ficam alguns vasos sangüineos importantes que interrompem o bombeamento do sangue para uma parte considerável do abdomen. Na realidade, o animal entra em estado de choque na medida que o conteúdo estomacal não sai nem por cima (vômito) nem por baixo (fezes).

 

Existem duas situações que agravam o estado do cão: o acumular de gases, provenientes da fermentação do conteúdo estomacal, e a obstrução dos 2 orifícios do estômago: cárdia e piloro, que em situações normais promovem o alívio através do vômito ou passagem para o intestino. O estômago dilatado, comprime a caixa toráxica originando dificuldades respiratórias e má oxigenação do sangue.

 

Essa dilatação/torção, envolve alteraçõs anatômicas importantes e choque hipovolémico pela súbita oclusão de vasos sanguíneos. Há ainda o deslocamento do baço, o que comprime a veia cava caudal fazendo baixar a tensão arterial e causando complicações na circulação das artérias que irrigam o coração, provocando arritmia.

 

Sintomas de Alerta

 

Nem todos os animais desenvolvem todos os sintomas, mas é importante que o dono esteja atento ao seu aparecimento:

  • Inquietação 

  • Tentativas infrutíferas de vomitar

  • Mal-estar - Palidez das mucosas

  • O Cão baba-se 

  • Dificuldades respiratórias

  • Perda de Consciência

O tratamento deve ser extremamente rápido, portanto, tenha sempre à mão os telefones de seu veterinário para casos de emergência. O proprietário NÃO DEVE tentar ajudar sozinho seu cão.

 

A prioridade no 'primeiro-socorro' deve ser tratar o estado de choque e a arritimia cardíaca. Para tal, deve-se procurar descomprimir o estômago e iniciar o tratamento com soro e com a introdução de uma sonda pela boca até o estômago.

 

Prevenção

 

A principal medida preventiva diz respeito às quantidades de alimento que o cão ingere a cada refeição. Assim, recomenda-se dividir a quantidade total das refeições em 2/3 vezes ao dia, evitando sobrecarga do aparelho digestivo e evitando especialmente concentrar a alimentação no período nocturno.

 

Deve-se evitar que os cães comam muito rapidamente, uma vez que desta maneira, eles acabam enchendo o estômago de ar. Outra dica, é evitar colocar os pratos de comida no chão. Deve preferir-se colocá-los em suportes de modo que o cão não tenha que baixar-se muito para comer.

Uma vez que há determinação genética quanto à sensibilidade à torção gástrica, deve-se evitar acasalar cães que apresentem este problema.

 


 

CORONAVIROSE

 

Doença viral, com um quadro semelhante à Parvovirose.

 


 

ESGANA (CINOMOSE)

 

Enfermidade infectocontagiosa aguda, sub-aguda ou crónica; febril, particular da família canina. A sua transmissão dá-se pelas vias respiratória e digestiva. Na fase aguda o vírus é eliminado intensamente e em abundância pela secreção ocular, urina e fezes.

 

Manifestação:

 

1º. fase - digestiva: o animal apresenta vômitos, diarréia, mucosa sanguinolenta, anorexia, temperatura acima de 40ºC.

 

2º. fase - respiratória: Broncopneumonia intensa, secreções mucosas e senomucosas, que depois passam para purulentas, geralmente por infecções secundárias.

 

3º. fase - nervosa: Nesta fase aparecem alterações mioclonais ( tic nervoso ), podendo encontrar as três fases ou apenas uma delas. A mais perigosa é a nervosa. Toda vez que suspeitar de Esgana ou leptospirose, a temperatura deverá estar acima de 40 ºC.

 


 

HEPATITE

 

Enfermidade infectocontagiosa aguda, causada por vírus resistente ao éter, álcool, clorofórmio e sensível ao formol e calor. Período de encubação: 4 a 9 dias.

 

Manifestação:

 

Animais jovens: morte súbita sem nenhum sinal clínico. Primeiro sinal: hipertemia passageira de 24 a 48 horas, temperatura de 40º a 40,5º, caindo logo após; apresenta sede intensa, anorexia, congestão das amígdalas, congestão das mucosas e da faringe, congestão conjuntival (pálpebras vermelhas), congestão da conjutiva nasal e bucal, fotofobia, hemorragias bucais, esquimoses na pele ( pinta ou pontos vermelhos). Principalmente na frente (abdômen) e faces internas da coxa e mucosa peniana, dispinéia (dificuldade respiratória) por edema pulmonar (pulmão cheio de líquidos), animais adotam posição de sentar, para aliviar a pressão.

 


 

LEPTOSPIROSE

 

Doença infecciosa grave que atinge os homens e os animais, sendo causada por uma bactéria a Leptospira sp presente na urina dos ratos domésticos e ratos do campo. A contaminação dá-se quando o animal, ou o indivíduo entra em contacto com água ou lama que contenha a Leptospira. Esta penetra no organismo através de ferimentos na pele ou mesmo na pele integra quando num contato mais prolongado e também pelas mucosas (boca - nariz - olhos - órgãos genitais ).

 

Manifestação:

 

Vômitos e diarréia as vezes com sangue, urina com sangue, icterícia.

 


 

PARAINFLUENZA - TOSSE DE CANIL

 

Tosse persistente, e as vezes associado a pneumonia. Esta doença é chamada tosse de canil.

 


 

PARVOVIROSE

 

Doença de cães séria e altamente contagiosa, em particular nos Rottweiler. A infecção dá-se pelo Parvovirus Canino que tem um curto período de incubação.

 

Manifestação:

 

Os sintomas mais comuns são de morte súbita quando tivermos o modo cardíaco, com depressão e disfunções respiratórias. Vómitos, diarréias e desidratações são os sintomas do modo gastroentestinal que tem como sinal principal fezes sanguinolentas. 

 

Dado que a Raça Rottweiler faz parte de um conjunto de raças que é extremamante susceptível a esta perigosa doença, deve haver um especial cuidado na vacinação precoce e no reforço periódico da vacinação do seu cão.

Como referi, e dada a sua importância, será dado mais algum desenvolvimento à informação sobre esta doença

 

Introdução

No fim do ano de 1978, uma nova doença viral de cães, caracterizada por diarréia hemorrágica severa e vómitos, foi reconhecida. A doença causada por um parvovírus manifesta-se de duas formas, que são a forma entérica e a forma miocárdica. A forma entérica é mais freqüentemente reconhecida, por mostrar sinais evidentes. A forma miocárdica é geralmente diagnosticada no post-mortem, pois a maioria dos animais morre subitamente sem mostrar sinais clínicos.

 

Onde a doença se originou e por que ela apareceu subitamente e quase que espontaneamente em várias partes do mundo ao mesmo tempo não é sabido. Tem sido sugerido que, devido à semelhança antigênica com o vírus da panleucopenia felina, o vírus da parvovirose canina seja um mutante de uma linhagem de campo do vírus felino.

 

Patogênese

 

As fezes contaminadas são a fonte primária de infecção da parvovirose canina. Após a exposição oral, o vírus estabelece-se e infecta os linfonodos regionais da faringe e tonsilas (amígdalas). A partir desse evento o vírus ganha a corrente circulatória (fase de viremia) e invade vários tecidos, incluindo o timo, o baço, os linfonodos, a medula óssea, os pulmões, o miocárdio e finalmente o jejuno distal e o íleo, onde ele continua a replicar-se. A replicação causa a necrose das criptas do epitélio do intestino delgado, com eventual destruição das vilosidades. O vírus também pode causar lesões noutros órgãos que invade, contribuindo para múltiplos sintomas como linfopenia (medula óssea), miocardite (coração) e sinais respiratórios (faringe).

 

O parvovírus tem sido isolado de conteúdo intestinal e fezes de cães afectados. O mesmo vírus causa as duas formas da doença. O vírus apenas se multiplica em tecidos em rápido crescimento.

 

Até cerca das quatro semanas de idade, o crescimento do epitélio intestinal é muito lento, se comparado com o tecido do coração, mas à medida que o cão envelhece (acima de 5 semanas de idade) a infecção se estabelece no intestino, levando à enterite.

 

Como mencionamos acima, alterações no músculo cardíaco em infecções subclínicas podem predispor ao aparecimento de doenças cardíacas quando o animal tiver mais idade.

 

Forma Entérica

 

A doença apresenta-se normalmente como um episódio gastroentérico severo, altamente contagioso e às vezes hemorrágico em filhotes (com mais de 3 semanas de idade). Os animais afectados apresentam inicialmente vómitos profusos para depois desenvolverem uma diarréia severa. Em muitos casos, os animais afectados podem desidratar-se rapidamente e morrer 24 ou 48 horas após o aparecimento dos sintomas.

 

Os sinais clínicos geralmente aparecem de 2 a 4 dias após a exposição inicial (infecção). No começo do curso da doença (de 1 a 3 dias após a infecção), ocorre uma profunda viremia antes do aparecimento da gastroenterite, e a temperatura do animal pode subir bastante. É durante a fase virémica que uma profunda leucopenia, especialmente linfopenia, pode ser observada.

 

A leucopenia transforma-se rapidamente em leucocitose devido à infecção secundária por bactérias, à medida que os sinais clínicos se tornam mais evidentes. Durante a fase clínica da doença (do 4º ao 10º dia após a infecção), grandes quantidades de vírus são eliminadas nas fezes. A fase de eliminação do vírus não é muito longa e dura de 10 a 14 dias.

 

Animais com eliminação crónica não têm sido encontrados. À medida que a doença evolui, a temperatura geralmente volta ao normal, antes de se tornar subnormal, quando então o animal morre por choque. Durante a fase de recuperação, os sinais clínicos regridem rapidamente dentro de 5 a 10 dias depois do seu aparecimento. É possível que cães recuperados possam apresentar a forma miocárdica numa idade mais avançada, devido às lesões iniciais causadas no músculo cardíaco. No exame histopatológico dessa enfermidade, encontramos alterações muito semelhantes àquelas encontradas na panleucopenia felina. O exame post-mortem revela lesões no trato gastrointestinal que são morfologicamente idênticas àquelas vistas na panleucopenia felina.

 

Forma Miocárdica

 

A doença apresenta-se como uma miocardite em filhotes afectados (de 3 a 8 semanas) e raramente em cães adultos. Cães que se recuperam de forma entérica podem ser afetados mais tarde, durante a vida, pela forma miocárdica. Isso também pode ocorrer em cães que apresentaram uma doença subclínica. Em casos típicos, filhotes aparentemente sadios morrem subitamente ou minutos após um período de angústia. Os filhotes aparentemente sucumbem de edema pulmonar, atribuído a falha cardíaca. Nos cães que são afectados mas não sucumbem imediatamente, nota-se ao exame radiográfico uma cardiomegalia. Os sinais clínicos são devidos a ataque do miocárdio pelo vírus e subseqüente degeneração e inflamação do músculo cardíaco. É possível que a miocardite em filhotes resulte de infecção neonatal ou intrauterina do feto.

 

Diagnóstico

 

As alterações hispatológicas em cães infectados, apesar de serem características, só podem ser usadas para confirmação post-mortem. O exame ao microscópio electrónico de extractos fecais é diagnosticamente confiável. O exame de imunofluorescência directa em esfregaços de intestino e o isolamento do vírus também têm sido empregados. A sorologia, empregando os métodos de inibição da hemoaglutinação (HI) e soroneutralização (SN) podem ser usados mas, por si só, não são conclusivos, pois os títulos de HI e SN podem ser elevados pela vacinação em adição à exposição natural. Somente a detecção do vírus nas fezes e/ou a demonstração de anticorpos IgM no soro confirmam positivamente a infecção aguda.

Inativação do Vírus

 

O parvovírus é muito resistente às intempéries do meio ambiente. Uma vez que o local esteja contaminado, fica muito difícil eliminar o vírus. Acredita-se que o vírus possa sobreviver por mais de seis meses em condições normais de temperatura e humidade no meio ambiente. A maneira mais eficiente de desinfecção é o uso de formalina a 1% ou de hipoclorito de sódio a 5,25% diluído na proporção de 1:30 em água. Deve-se minimizar o contacto do animal susceptível com cães afectados e suas fezes.

 

Profilaxia da Parvovirose Canina 

 

A única maneira para se controlar a parvovirose canina é por meio de um programa de imunização eficiente. As vacinas não devem proteger somente o indivíduo, mas também a população, evitando a eliminação de vírus quando o animal sofre uma exposição ao vírus de campo. Desde que seja provável que o parvovirus canino continue a circular na população indefinidamente, a imunização contra a parvovirose deve ser incluída no programa rotineiro de vacinação.

 

Antes de comentarmos o esquema de vacinação, devemos ressaltar o papel dos anticorpos maternos na proteção dos filhotes e sua influência sobre a vacinação. Os níveis de anticorpos maternos (adquiridos pelo colostro) nos filhotes variam de acordo com os níveis de anticorpos encontrados na cadela. Quanto mais alto for o título de anticorpos da cadela, mais altos serão os títulos encontrados nos filhotes e, portanto, mais duradoura será a imunidade passiva. No entanto, como o nível da cadela pode ser variável, a duração da imunidade passiva também será variável. Têm-se encontrado filhotes que com 6 semanas de idade já não apresentam títulos detectáveis, e filhotes que mantiveram títulos até a 18ª semana de idade. Se o animal for vacinado e ainda apresentar títulos de anticorpos, esses vão inutilizar a vacina. Assim, para se ter a certeza de uma eficiente imunização em filhotes, deve-se dar a primeira dose entre 6 e 8 semanas de idade, a segunda entre 10 e 12 semanas e a terceira entre 16 e 18 semanas de idade. A revacinação deve ser anual. Para assegurar uma boa imunidade aos filhotes, deve-se vacinar as cadelas antes da cobertura. Não se deve vacinar cadelas prenhes, apesar de não existirem evidências de interferência sobre o desenvolvimento normal do feto.

 


 

RAIVA

 

Doença infecto contagiosa aguda e fatal, caracterizada por sinais nervosos, apresentados por agressividade e por semi-paralisia ou paralisia. Tempo de encubação: pode aparecer de 10 a 90 dias. 

 


 

VACINAÇÃO

 

Assim que você adquirir um cachorro deve levá-lo ao Médico Veterinario para uma avaliação geral. Enquanto ele não tiver as vacinas em dia, tenha cuidado para que não entre em contacto com outros cães ou com o solo de espaços públicos. Uma especial atenção quando o levar à clínica veterinária, mantenha-o sempre ao colo e distante dos outros cães.

 

 

Quadro de Vacinação em Cães

 6 semanas  Parvovirose
 12 Semanas  Esgana, Leptospirose, Hepatite e Parvovirose (2ª dose)
 18 Semanas  2ª Dose de Esgana, Leptospirose, Hepatite e 3ª Dose de Parvovirose
 6 meses  Reforço Parvovirose e Raiva
 Anualmente  Reforços de Todas as Vacinas